sexta-feira, 8 de maio de 2015

Ler é uma festa!

Já passaste na tua biblioteca para requisitares um livro?



ilustração de Mila Marquis

Escolhe um do teu agrado, não percas tempo!

terça-feira, 5 de maio de 2015

Casa da encosta

Vivi na casa da encosta durante 57 anos.
Tinha uma vista belíssima sobre o mar.
Gostava de abrir as janelas de manhã e sentir o fresco a entrar no quarto.
Tinha uma cadeira de verga ao lado da janela.
De tarde sentava-me  nela e lia aqueles livros que ninguém conhece.
Sentia-me um intelectual do nada, que era exatamente aquilo que melhor me definia.
À noite, se estivesse muito quieto conseguia ouvir as ondas a bater nas pedras do pontão.
A minha Margarida também gostava mito da casa.
Muito gostava ela de regar os amores-perfeitos dos vasinhos azuis e os malmequeres altos que havia ao lado da porta da frente.
E eu ralhava com ela, porque ela regava as flores e a erva, que depois tinha de ser eu a arrancar.
Tenho saudades dela. A minha grande companhia durante tantos anos.
Era uma mulher como não mais há hoje em dia. Sempre amiga e carinhosa.
Mas, ainda assim, triste.
O dia da notícia de que  nunca poderíamos ter filhos mudou a minha Margarida para sempre.
Por isso dependíamos um do outro e só nos tínhamos aos dois.
Os últimos anos da minha Margarida foram muito dolorosos para mim.
Aquela maldita doença, que me levou a Margarida mais bonita das flores da minha casa da encosta. Levou com ela também aminha alegria de olhar a vida.
Mesmo assim, ainda lá vivi mais 2 anos sem ela.
Os piores que tenho memória.
Os vasos nunca mais ninguém os regou e as ervas nunca mais as arranquei.
Secou tudo menos as minhas lágrimas.
Não sei se era tristeza ou se era d tanto olhar o mar ali de cima da encosta, mas também eu ganhei sal nos olhos.
Sei que fiquei ainda mais velho. Vejo pelas rugas das mãos porque não tenho coragem de me ver aos espelhos.
Foi difícil abandonar a casa.
Quando olhei para dentro a última vez vi os raios de sol a entrar pela janela de frente e pareceu-me ver a Margarida sorrir para mim, com um ramo de malmequeres na mão e dois amores-perfeitos nos olhos.
Senti que naquele momento o filme da minha vida tinha acabado o final não tinha sido exatamente aquilo que eu pensava que seria.
Acordei ontem no sítio onde me recordo hoje.
Dizem que é para o meu bem.
Vivo cá eu e mais 100. Todos atores reformados de filmes diferentes que acabaram todos um final semelhante.
Estamos aqui todos abandonados. Acompanhamos a solidão de cada um de nós, que nada mais tem de seu a não  ser ela mesma.
Pergunto-me quando verei novamente a minha Margarida.

Um dia eu sei. Sei que vou voltar a abrir os olhos em frente à porta da nossa casa. E quando olhar novamente para os raios de sol que saem pela janela da frente vou vê-la.
Ela vai estar a pegar nos malmequeres e vou entrar. Os nossos passos vão plantar amores-perfeitos no chão de      admira da minha amada casa da encosta.
Vou sentar-me na minha cadeira de verga e, ao lado da minha Margarida, vou esperar a noite para voltar a navegar nas ondas que batem no pontão.

Carlos Victor – 12ºB


Parabéns ao Carlos!

terça-feira, 28 de abril de 2015

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Esta é a madrugada que eu esperava




Esta é a madrugada que eu esperava
0 dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Leituras (en)cantadas

Uma iniciativa promovida pela Rede de Bibliotecas Escolares (RBE) em parceria com o Teatro Nacional de São Carlos e o Centro Nacional de Cultura.
Gincanas, jogos digitais, leituras expressivas, oficinas de desenho, banda desenhada, oficinas de filmes de animação e  momentos musicais... 



à vossa espera!

terça-feira, 14 de abril de 2015

outras formas de interação!

O Gloster Edu é uma plataforma versátil, simples, fácil e intuitiva que permite a criação de glogs, ou seja, de cartazes multimédia. Pode ser utilizada por professores e alunos, em todas as disciplinas do currículo. A diversidade de elementos multimédia que suporta, “just mix what you want”, “Your creativity has no limit”, constitui uma enorme vantagem, por ir ao encontro das diferentes formas de aprender dos alunos de modo criativo e divertido, em ambiente seguro.
O professor pode abrir um espaço de aula e adicionar os seus alunos,  interagindo com eles, quer individualmente quer em grupo. Em ambos os casos, estes são notificados automaticamente. Todos os glogs podem ser partilhados no twitter, facebook e pinterest.

 
Decididamente uma ferramenta magnifica que potencia o trabalho colaborativo, … mas, por enquanto só em inglês.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

terça-feira, 7 de abril de 2015

domingo, 22 de março de 2015

sábado, 21 de março de 2015

Diz-me tu

Os poetas vêm ao nosso encontro!




Que me trazem as palavras do mundo?
Signos e significados,
significantes e referentes
e a surpresa de que haja crentes
em pensamentos tão variados.

Que me trazem as palavras do teu mundo?
Verdades por vezes tão estranhas,
que dizes serem legítimas opiniões pessoais
tão verdadeiras quanto as demais,
ainda que aos outros pareçam patranhas.

Que me trazem as palavras daquele mundo?
Ideias que reputo como falsidades,
mas que outros afirmam ser banais
noutras culturas e sociedades,
ainda que em nada nos sejam iguais
e nos custe chamá-las «verdades».

Que me trazem as Palavras do Outro Mundo?
Mandamentos universais
contra os pecados mortais,
ensinamentos divinos
para orientar os cretinos,
sagrados códigos morais
para ensinarmos aos meninos.
E aos demais.

Mas que farei, afinal, às palavras do mundo?
Que verdade trazem elas, no fundo?
Que palavra será a mais verdadeira?
Que verdade será a mais certeira?

A do apóstolo, a do profeta, a de que deus?
A de Einstein, a de Newton, a de Ptolomeu?
A minha, a tua, a deles?
A do cientista, a do poeta ou a de um reles
homem como eu?

Diz-me:
por que régua, por que balança,
por que termómetro ou geringonça,
por que relógio, por que contador,
por que manómetro ou transferidor,
por que astrolábio, por que sextante,
por que perspetiva ou quadrante
medirei
- diz-me tu, que eu não sei -
as verdades de cada um
trazidas pelas palavras do mundo?

Diz-me tu, que eu não sei
que regra social, que lei natural,
que tradição oral, que diploma legal,
que costume, que hábito, que norma,
que equação chamar ou de que forma
condenar
a faca que corta outra garganta humana,
a corrente que garante uma escravidão insana,
a biqueira que maltrata uma criança,
a pistola que calou vozes em França,
o assassino que mata com indiferença  serena,
o doente que sofre sem que alguém tenha pena,
o proxeneta que explora mais de uma dezena,
o sangue de um touro que morre na arena,
o político mentiroso, o funcionário corrupto,
o lambe-botas dengoso, o polícia bruto,
o vizinho manhoso, o vigarista astuto,
o chefe que manda com a arrogância de um puto,
o fanatismo de estádio (ou político, ou religioso),
o respeitinho que sempre foi brando costume,
o racismo que faz este mundo mais perigoso,
o homem que mata por não aplacar o ciúme.

Todos estes pecados e muitos mais,
que não são apenas sete
e nem todos mortais.


Diz-me tu, que eu não sei,
de que forma escutarei
todas as palavras e cada uma
para então, se houver alguma,
encontrar a verdade que será Lei.

Diz-me tu, que eu não sei.

11.03.2015
A.C.

 Obrigado António... que bela forma de comemorarmos este dia!