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terça-feira, 9 de maio de 2017
sexta-feira, 24 de março de 2017
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
Dia Mundial da Alimentação
No dia 16 de outubro celebra-se o Dia
Mundial da Alimentação!
Como forma de assinalar a data deixamos um link, com informação valiosa, sobre a importância
da alimentação na vida de um desportista!
uma dieta saudável+prática de atividade física = a mais saúde!
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
sexta-feira, 27 de maio de 2016
Quero apenas cinco coisas...
Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo NerudaPrimeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
ilustração de Rachel Stubbs
segunda-feira, 16 de maio de 2016
Uma pequena maravilha!
ABC3D é um livro pop-up, da artista gráfica e ilustradora francesa, Marion Bataille, conhecida pelas formas simples, minimalistas e pelo uso de um reduzido número de cores. O alfabeto é apresentado de forma inovadora e divertida.
uma encantadora descoberta visual!
sábado, 9 de abril de 2016
quarta-feira, 9 de março de 2016
O Cartaz o Folheto e Outras Coisas Mais"
O
cartaz, o folheto, o postal, o convite são meios de comunicação em que o texto
e a imagem desempenham um papel fundamental. São recursos didático-pedagógicos
facilitadores e relevantes no processo do ensino aprendizagem.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Um excelente ano...
na companhia dos livros e de inspiradoras leituras!!!
os desejos da equipa das bibliotecas do agrupamento!
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
"Pássaro Azul"
Tua estirpe habitara alcândoras divinas.
Com os pés de prata e anil desceste antigos tempos.
E em minhas mãos pousaste, e o silêncio explicou-se,
por tua voz, que era de nunca e era de sempre.
E em minhas mãos pousaste, e o silêncio explicou-se,
por tua voz, que era de nunca e era de sempre.
Nomes de estrelas vinham sobre as tuas asas,
e era o teu corpo uma ampulheta pressurosa.
Entre as nuvens procuro o último azul que foste …
Mas, de tanto saber, nada mais se deplora.
e era o teu corpo uma ampulheta pressurosa.
Entre as nuvens procuro o último azul que foste …
Mas, de tanto saber, nada mais se deplora.
Como te penso tanto, e tão longe procuro
tua música além das nuvens, não te esqueças
que posso estar um dia, em lágrima extraviada,
pólen do céu brilhando entre os altos planetas.
tua música além das nuvens, não te esqueças
que posso estar um dia, em lágrima extraviada,
pólen do céu brilhando entre os altos planetas.
Mas não voltes aqui, pois é pesado e triste
o humano clima, para o teu destino aéreo.
Eu mal te posso amar, com o sonho do meu corpo,
condenado a este chão e sem gosto terrestre.
o humano clima, para o teu destino aéreo.
Eu mal te posso amar, com o sonho do meu corpo,
condenado a este chão e sem gosto terrestre.
Um poema de Cecília Meireles...
quarta-feira, 17 de junho de 2015
Orelhas de Borboleta
Um livro surpreendente para crianças a partir dos 6 anos de idade, cuja temática tem em mente a valorização das diferenças, o respeito, a auto-estima, o optimismo perante qualidades ou adversidades e a relação entre pais e
filhos.
Texto de Luísa Aguilar e ilustrações de André Neves.
A biblioteca recomenda!
terça-feira, 12 de maio de 2015
A biblioteca aconselha...
Cinco novas propostas para ler aos
mais pequenos:
Nome: Quero um Abraço
Autora: Simona Ciraolo
Editora: Orfeu Negro
Nome: Com 3 Novelos (O mundo dá
muitas voltas)
Autora: Henriqueta Cristina
Ilustrações: Yara Kono
Editora: Planeta Tangerina
Nome: Os Meus Disparates
Preferidos
Autor: Agnés de Lestrade
Ilustrações: João Vaz de Carvalho
Editora: Presença
Nome: Gato Procura-se
Autora: Ana Saldanha
Ilustrações: Yara Kono
Editora: Caminho
Nome: O Poeta de Pondichéry
Autora: Adília Lopes
Ilustrações: Pedro Proença
Editora: Assírio & Alvim
uma sugestão do "Observador!"
Nome: Quero um Abraço
Autora: Simona Ciraolo
Editora: Orfeu Negro
Nome: Com 3 Novelos (O mundo dá
muitas voltas)
Autora: Henriqueta Cristina
Ilustrações: Yara Kono
Editora: Planeta Tangerina
Nome: Os Meus Disparates
Preferidos
Autor: Agnés de Lestrade
Ilustrações: João Vaz de Carvalho
Editora: Presença
Nome: Gato Procura-se
Autora: Ana Saldanha
Ilustrações: Yara Kono
Editora: Caminho
Nome: O Poeta de Pondichéry
Autora: Adília Lopes
Ilustrações: Pedro Proença
Editora: Assírio & Alvim
sábado, 21 de março de 2015
Diz-me tu
Os poetas vêm ao nosso encontro!
Que me trazem
as palavras do mundo?
Signos e
significados,
significantes
e referentes
e a surpresa
de que haja crentes
em pensamentos
tão variados.
Que me trazem
as palavras do teu mundo?
Verdades por
vezes tão estranhas,
que dizes serem
legítimas opiniões pessoais
tão verdadeiras
quanto as demais,
ainda que aos
outros pareçam patranhas.
Que me trazem
as palavras daquele mundo?
Ideias que reputo
como falsidades,
mas que outros
afirmam ser banais
noutras
culturas e sociedades,
ainda que em
nada nos sejam iguais
e nos custe
chamá-las «verdades».
Que me trazem
as Palavras do Outro Mundo?
Mandamentos
universais
contra os
pecados mortais,
ensinamentos
divinos
para orientar
os cretinos,
sagrados
códigos morais
para
ensinarmos aos meninos.
E aos demais.
Mas que farei,
afinal, às palavras do mundo?
Que verdade
trazem elas, no fundo?
Que palavra
será a mais verdadeira?
Que verdade
será a mais certeira?
A do apóstolo,
a do profeta, a de que deus?
A de Einstein,
a de Newton, a de Ptolomeu?
A minha, a tua,
a deles?
A do
cientista, a do poeta ou a de um reles
homem como eu?
Diz-me:
por que régua,
por que balança,
por que
termómetro ou geringonça,
por que
relógio, por que contador,
por que
manómetro ou transferidor,
por que
astrolábio, por que sextante,
por que perspetiva
ou quadrante
medirei
- diz-me tu,
que eu não sei -
as verdades de
cada um
trazidas pelas
palavras do mundo?
Diz-me tu, que
eu não sei
que regra social,
que lei natural,
que tradição
oral, que diploma legal,
que costume, que
hábito, que norma,
que equação chamar
ou de que forma
condenar
a faca que
corta outra garganta humana,
a corrente que
garante uma escravidão insana,
a biqueira que
maltrata uma criança,
a pistola que
calou vozes em França,
o assassino
que mata com indiferença serena,
o doente que
sofre sem que alguém tenha pena,
o proxeneta
que explora mais de uma dezena,
o sangue de um
touro que morre na arena,
o político mentiroso,
o funcionário corrupto,
o lambe-botas
dengoso, o polícia bruto,
o vizinho
manhoso, o vigarista astuto,
o chefe que
manda com a arrogância de um puto,
o fanatismo de
estádio (ou político, ou religioso),
o respeitinho
que sempre foi brando costume,
o racismo que
faz este mundo mais perigoso,
o homem que
mata por não aplacar o ciúme.
Todos estes
pecados e muitos mais,
que não são
apenas sete
e nem todos
mortais.
Diz-me tu, que
eu não sei,
de que forma
escutarei
todas as
palavras e cada uma
para então, se
houver alguma,
encontrar a
verdade que será Lei.
Diz-me tu, que
eu não sei.
11.03.2015
A.C.
Obrigado António... que bela forma de comemorarmos este dia!
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Mergulho na Ciência...
No dia vinte e quatro de novembro, data de nascimento de Rómulo de Carvalho, comemora-se o Dia Nacional da Cultura Científica.
A destacar que Rómulo de Carvalho foi químico, pedagogo, investigador na área da ciência e inclusivé poeta conhecido sob o pseudónimo de António Gedeão
A destacar que Rómulo de Carvalho foi químico, pedagogo, investigador na área da ciência e inclusivé poeta conhecido sob o pseudónimo de António Gedeão
No decorrer da próxima semana a Escola Básica 2,3 da Costa da Caparica, levará a cabo a Semana da Cultura Científica.
Fica atento ao programa...
Fica atento ao programa...
Os mergulhos decerto vão ser profundos e maravilhosos e esperamos ansiosamente poder repeti-los em outros mares!!
terça-feira, 25 de março de 2014
O Meia-lua
Continuamos com mais um conto, desta vez da aluna Najat Hambouchi do 9º ano C, a quem foi atribuída uma menção honrosa “outras línguas,
outras culturas”.
O Meia-lua
O Meia-lua
“Numa manhã chuvosa de
outono, a Costa da Caparica acordou sem o seu barco típico (o meia-lua) na
rotunda central da jovem cidade. Depressa os distribuidores da praça se
interrogaram; os donos das mercearias deitaram as mãos à cabeça, incrédulos; os mais velhos deixaram os bancos do jardim
e procuram à sua volta. Os
condutores, que faziam normalmente aquele percurso, atrapalharam ainda mais o
trânsito, pois deitavam a cabeça fora da janela à procura do barco.”
As pessoas desesperadas, começaram
aos encontrões e aos berros, sem saber onde se metera o barco. Uns diziam:
- Será que o roubaram?
Outros respondiam:
- Será?!
- É claro que não! O barco é muito
pesado para o carregarem – diziam outros.
Começaram então à procura do barco,
até que o encontraram, entre as brisas do céu azul, estava lá no meio do mar
flutuando. Um dos polícias pegou nos seus binóculos e viu que, dentro do barco,
estava um homem. Ele era alto, de cabelo grisalho e parecia coxo. Então, o
polícia disse:
- Homem no barco! Há um homem no
barco!!!!
As mulheres, muito nervosas, começaram também
aos gritos dizendo:
-Valha-nos Deus! Mas onde será que
ele irá levar o barco?
- É ele quem roubou o nosso barco? Ai
o ladrão… – diziam ainda outras mulheres.
Só depois é que repararam que ele estava
a conduzir o barco para a terra. Já aliviados, perguntaram todos em coro:
- Ó homem, onde é que encontraste o
barco?
Ele respondeu:
- Encontrei-o nas mais belas praias
da Costa.
A multidão ficou admirada com o que o
homem dissera, pois todos tinham procurado o barco por toda a parte, menos na
praia mais bela da Costa, tal como o homem tinha dito. O homem, já envergonhado
pediu que o ajudassem a puxar o barco para terra, e lá foram ajudar.
No fim, a multidão decidiu fazer uma
comemoração em honra do homem e da vinda do barco. Trouxeram tudo o que tinham
nas suas casas para fazerem uma festa fantástica na Praça da República, junto à
Rua dos Pescadores.
E assim o Meia-lua ficou conhecido
como o barco da Costa da Caparica.
Najat Hambouchi
segunda-feira, 24 de março de 2014
O Mistério do Barco Desaparecido
Teve, mais uma vez, lugar o concurso literário de escolas (1º, 2º e
3º ciclos), do nosso Agrupamento.
Este ano o tema
prendeu-se com o desaparecimento do barco Meia-lua, da rotunda da Costa da
Caparica.
O Mistério do Barco Desaparecido
“Numa manhã chuvosa de Outono, a Costa da Caparica
acordou sem o seu barco típico (o meia-lua) na rotunda central da jovem cidade.
Depressa os distribuidores da praça se interrogaram; os donos das mercearias
deitaram as mãos à cabeça, incrédulos; os mais velhos deixaram os bancos de
jardim e procuraram à sua volta. Os condutores, que faziam normalmente aquele
percurso, atrapalharam ainda mais o trânsito, pois deitavam a cabeça fora da
janela à procura do barco.” Formando uma fila que, àquela hora, não era nada
aconselhável. Eu, que também ia a passar como habitualmente para a escola,
achei estranho o trânsito que estava. Não podia ser da chuva. O que seria?
Como a fila não andava, decidi sair do carro e
fazer o caminho a pé. Depois de me despedir da minha mãe e de ouvir todas
aquelas recomendações típicas das mães, lá me fui embora para não chegar tarde
à minha aula preferida, a de Português. Convém dizer que frequento a escola da
Costa da Caparica e com muito orgulho, pois os professores apoiam muito os
alunos.
Bem… fui andando e, quando estava a chegar perto
do centro, comecei a ouvir um grande alarido e a sentir uma forte agitação. Quis
saber do que se tratava, pensando que era algum acidente. Foi quando avistei um
senhor, meu amigo, que é dono do café, mesmo em frente do sítio onde deveria
estar o “ meia-lua”.
É um senhor de meia-idade, de estatura baixa e com
uma farta cabeleira. Fui ter com ele, dei-lhe os bons dias, mas ele estava tão
transtornado que mal me ouviu. Tive mesmo de lhe tocar no braço dando-lhe um
grito:
- Ó Senhor Luís!
Virando-se, para ver quem o chamava, olhou para mim
e disse:
- Então não é que levaram o barco?!
- Não posso acreditar! Quem quereria um barco tão
velho, já a precisar de conserto?
Cada pessoa dava a sua opinião, uns diziam que
tinha sido malandragem. Os mais velhos falavam que tinha sido a Câmara de
Almada. Eu cá para mim, nenhuma daquelas opiniões fazia qualquer sentido, uma
vez que o barco tinha desaparecido durante a noite. E digo isto, pois o Senhor
Luís afirmava que, quando fechou o café à meia- noite, ainda o barco estava no
seu sítio; logo, não tinha muita lógica! Como se estava a fazer tarde, e ainda
tinha pelo menos uns dez minutos de caminho até à escola, tive que me apressar.
Senti um certo entusiasmo de tanto mistério e
também queria contar aos meus colegas, em especial aos meus três melhores
amigos. Aqueles que, como eu, têm espírito de aventura. Passo a descrevê-los:
O Zé tem catorze anos, é loiro, tem olhos verdes e
as miúdas da turma, derretem-se todas com ele.
O Sandro, a quem pusemos a alcunha de Almirante
Sandro, pois ele é repetente, tem um ano a mais que nós os três e, quando
estamos na brincadeira, ele está sempre a dizer “ Parem com isso!”, com um ar
tão sério que nós até lhe achamos graça e não lhe ligamos nenhuma.
E o Alberto, que é o intelectual e o
perfeccionista da turma.
Como cheguei em cima do toque, não lhes pude
contar, tive de esperar pelo intervalo. Mal lhes contei, concordámos em
desvendar o mistério do desaparecimento do barco.
Depois das aulas, juntámo-nos e fomos ao centro da
cidade. Tinha parado de chover, o que era ótimo. Íamos aprofundar o caso e dar
início à nossa investigação. Traçámos um plano e distribuímos tarefas: o Zé ia
recolher o testemunho das pessoas que estavam nos bancos da praça, dizendo que
era um trabalho para a escola. O Almirante Sandro foi falar com o Senhor
Presidente da Junta da Freguesia. E eu e o Alberto íamos sondar o Senhor Luís
porque, como diz a minha avó, “nos cafés fala-se e sabe-se de tudo!”.
Fomos falar com o senhor Luís e perguntámos-lhe se
sabia mais alguma coisa a respeito do barco. O Senhor Luís disse que tinha sido
chamada a polícia, e que mais nada sabia. Olhámos um para o outro, muito
desmotivados. Entretanto, chegou um cliente e o Senhor Luís teve de ir atendê-lo.
O cliente, olhando para nós, perguntou-nos o que estávamos a fazer. Mentimos,
dizendo que era um trabalho sobre o desaparecimento do “meia-lua”, para a
escola. Então, para nosso grande espanto, ele começou a contar-nos que era
taxista e que, na noite em que desaparecera o barco, estava de serviço e que
tinha visto uns homens com aspeto de pescadores, com um trator, a rebocar o
barco.
Todos os que estavam no café olharam para o
taxista, incrédulos. Viemos embora, pois o taxista tinha-nos contado tudo o que
sabia.
Fomos ter com os outros.
O Zé não tinha conseguido saber nada que nos desse
uma pista.
O Almirante Sandro disse-nos que o Presidente da
Junta nem o recebera, dizendo que para falar com ele teria de marcar hora com a
sua secretária.
Só eu e o Alberto tínhamos notícias. Tínhamos escrito
o que o taxista dissera e decidimos procurar pelas praias da Costa. Mas antes,
o Alberto quis ir à polícia perguntar se sabiam do paradeiro do barco. Um
Polícia, que estava à entrada do posto, disse-nos que não tinham qualquer pista
e que devíamos ir para casa que já estava a escurecer.
Despedimo-nos e combinámos que, como era
sexta-feira, iríamos fazer uma caminhada pelas praias no dia seguinte, logo
pela manhã, pois era sábado e não havia aulas.
E assim foi! No dia seguinte, estava uma manhã
fria, mas lá estávamos todos à hora marcada. Começámos pelo Pontão, caminhando para
sul, ao longo da praia, na direção dos pescadores que costumam consertar as
suas redes ao pé dos barcos. Tudo nos chamava a atenção, olhávamos para todos
os barcos que estavam na praia. Os barracões dos pescadores estavam com as
portas abertas. Todos… menos um…! Ficámos cheios de curiosidade e, mais ainda,
quando vimos um rapaz a entrar com umas latas de tinta para o tal barracão mas,
antes de abrir a porta, olhou para todos os lados, como se não quisesse ser
visto. Entreolhámo-nos e resolvemos meter conversa com um velho pescador, para
ver se víamos mais algum movimento. O pescador, conhecido como o Fanecas,
começou a contar-nos todas as suas histórias, vividas no mar. Entretanto,
enquanto o velho pescador falava, começaram a chegar mais homens, todos eles
pescadores e, um a um, iam entrando no barracão o mais discretamente possível.
Mas nós, apesar de atentos às histórias do Senhor Fanecas, não deixávamos de
prestar atenção àquela movimentação, até que, enchendo-se de coragem, o Alberto
perguntou pelo barco “meia-lua”.
O velhote, dizendo que tinha boa memória e
mostrando um sorriso de grande satisfação, contou-nos toda a história do barco.
Não era bem isso que nós queríamos… o que queríamos era saber se o velho
pescador sabia onde estava o barco… mas ele não parecia ter qualquer ideia
sobre o assunto.
A hora do almoço estava a aproximar-se. Os homens
do barracão saíram deixando a porta encostada.
O Senhor Fanecas, olhando para o relógio de bolso
disse que ia almoçar, até nos convidou dizendo que “em casa de pobre há sempre
lugar para mais um”. Neste caso éramos mais quatro… por isso, agradecemos
dizendo que os nossos pais estavam à nossa espera. Mas o que nós queríamos era
o caminho livre para podermos entrar no barracão.
Fizemos de conta que vínhamos embora, até deixarmos
de ver o velho pescador que, por andar com uma certa dificuldade, estava a deixar-nos
ansiosos. Quando o perdemos de vista, começámos a correr e, sem mais demora,
entrámos no barracão.
Estava um pouco escuro, pois apenas havia uma
pequena janela. E havia um cheiro intenso a tinta fresca. O Zé, distraído, ao
dar um passo, bateu com a cabeça em algo. Então, o Alberto abriu um pouco mais
a porta e lá estava o barco “meia-lua”, para nosso espanto.
Afinal, aqueles pescadores estavam a arranjá-lo!
Estávamos tão surpreendidos que não vimos dois
pescadores a entrar no barracão… e fomos descobertos…
Perguntaram o que estávamos ali a fazer e que devíamos
saber que não se pode entrar em uma propriedade privada.
Não é que o Almirante Sandro se pôs em frente dos
homens e, sem mostrar medo, lhes perguntou o que estava ali a fazer o barco
desaparecido da Costa da Caparica? Disse também que ia chamar a polícia.
Os pescadores, que eram pessoas de bem, disseram
para termos calma… que eles só queriam arranjar o barco e voltar a colocá-lo no
mesmo sítio, por ser uma honra para todos pescadores e caparicanos e
pediram-nos para guardar segredo.
Nós concordámos em ficar calados, com a condição
de nos deixarem ajudar.
Então, para espanto de toda a gente da Costa, na
manhã de segunda-feira, o barco “meia-lua” apareceu no seu lugar de sempre, tão
misteriosamente como tinha desaparecido, só que muito mais bonito!
Ricardo Rocha
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